Blog

Dormir com os pais

1476709_1688709204700684_6902524167972661053_n

Existe hoje alguma controvérsia sobre se os filhos devem dormir na cama dos pais, pelo menos durante os primeiros meses de vida. Podemos afirmar que existem vários tipos de “parentalidade nocturna”: alguns progenitores são rigorosos em proibir uma noite inteira na sua cama, outros transformam-na numa verdadeira “cama familiar”, em que uma ou duas crianças se acomodam, às vezes com manifesta falta de espaço, no leito conjugal.

Daniel Sampaio

Os meus pais eram muito coerentes na sua educação. À hora de deitar, eu ia dormir sozinho, sem grandes protestos. Embora não me recorde, como é óbvio, dos meus tempos de bebé, as estórias que me contavam eram de uma ida precoce para a minha cama; e se acordava de noite, a minha mãe ou a minha avó iam lá sossegar-me os medos, sem que tivessem de perturbar o seu descanso por muito tempo.Hoje nem todos pensam como os meus familiares. Os pais trabalham muito, reivindicam para si mesmos uma noite sem interrupções ou preferem não ter de se confrontar com choros e birras das crianças. Defendem o seu direito ao descanso, por vezes numa posição de algum narcisismo.

 

A solução passa então por aceitar que os filhos os acompanhem durante longos períodos ou mesmo toda a noite, de modo a que não haja qualquer período de insónia.Alguns pediatras e psicólogos vieram em sua defesa. Alegam que a proximidade entre pais e filhos facilita a intimidade recíproca, acalma as crianças e permite uma tranquilidade que favorece o desenvolvimento físico e mental. Defendem que dormir junto aos pais é a melhor forma de evitar a “síndrome da morte súbita”, a primeira causa de mortalidade no primeiro ano de vida, e que corresponde à morte repentina e sem explicação no primeiro ano do bebé. Segundo os defensores doco-sleeping (dormir em conjunto) e da family-bed (cama familiar), os pais que estão mesmo ali ao lado podem logo intervir e salvar o filho. A investigação provou, no entanto, o contrário: a síndrome da morte súbita ocorre muitas vezes em bebés que estão na cama dos pais, sobretudo quando os progenitores abusam de álcool e drogas ou tomam medicamentos para dormir. Os meus argumentos contra o co-sleeping são outros. Considero que o desígnio fundamental da educação é o da autonomia, esse percurso singular que leva cada um a ser capaz de gerir a sua própria norma, ou seja, ter uma existência independente e confiante.

 

Uma criança pequena não pode viver sozinha, mas pode construir o seu caminho para ser capaz de o fazer mais tarde. Assim, dormir sozinho faz parte desse percurso a percorrer. Até aos seis meses, a criança deve dormir num berço junto à cama dos pais, depois (no máximo com um ano) deverá ter o seu quarto e a sua cama, sempre que as condições da casa o permitam.A investigação abre caminho a outras compreensões deste problema do co-sleeping.

Diversos estudos demonstram que as crianças que permanecem muito tempo na cama dos pais exacerbam comportamentos sexuais precoces e exibem curiosidade excessiva sobre a intimidade dos progenitores. Por outro lado, muitos pais tornam-se demasiado permissivos (em muitos contextos), porque não são capazes de confrontar os filhos com um “não” durante a noite, ou então acabam por mostrar sentimentos de culpa, por darem demasiada importância às suas próprias necessidades de repouso e bem-estar.

A regra deverá ser: afecto antes de dormir, sossego depois, em camas separadas.

Fonte:Público

Read more

Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra: “Comove-me a quantidade de crianças que são cuidadoras de pais infelizes”

2016-07-22-Ana-Vasconcelos

É uma ‘decifradora’ de crianças, mas, mais do que isso, é uma defensora dos seus direitos. A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos ajuda-nos a perceber melhor que tipo de filho estamos a educar e que tipo de mãe somos.

Ana Vasconcelos é uma das principais aliadas das crianças portuguesas: no seu consultório passam diariamente muitas crianças em sofrimento. Nasceu em Lisboa, formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria da criança e do adolescente em Paris. Participou no primeiro curso de mediação familiar do CEJ (Centro de Estudos Judiciários), é um dos membros fundadores da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica e membro da SPPS (Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde).

Também já lhe pedi conselho várias vezes, para vários artigos, mas hoje estamos sem ‘tema’. Afinal, é uma entrevista. Podemos começar por qualquer sítio. Pergunto-lhe se quer dar o mote, desafio que a pedopsiquiatra aceita imediatamente: “Muito bem. Então dou-lhe o seguinte: ‘para que os amanhãs possam cantar’, de que me lembrei a propósito de um poema da Sophia de Mello Breyner, que nos faz pensar que o dia de hoje tem de nos ajudar a que a gente se sinta esperançosa.

Temos falta de esperança, hoje?
Acho que, mais do que nunca, temos receio do futuro. Porque o presente não tem sido bom, e nós alicerçamos o futuro no presente. Uma das coisas complicadas na pedopsiquiatria é que cada vez mais se faz clínica do instante em vez de clínica da história da pessoa. Os médicos têm muito pouco tempo para os pacientes, os professores têm muitas crianças. E faz-nos muita falta um tempo de melhor qualidade que não esteja tão ameaçado por estes ritmos da competição e da funcionalidade.

Quando é que as coisas começaram a correr mal?
A partir da altura em que a sociedade industrial criou a competição e a filosofia do ‘ou eu ou tu’. Dantes, na sociedade tribal, o que reinava era o coletivo e a partilha, embora houvesse sempre quem mandava e quem obedecia. Mas esta sociedade está a gerar muitos problemas na sua competição desenfreada.

A competitividade não pode desenvolver as nossas capacidades?
Pode, se estiver inserida num plano de desafio e não num plano do ‘ou eu ou tu’. Mais do que ‘eu melhor do que tu’ devemos educar para o ‘nós melhores do que há pouco’. Curiosamente, há quem diga que os miúdos não estão a ser educados para o brio, em que se dá o nosso melhor para alcançar um objetivo. O brio não está ligado à competição, está ligado ao reconhecimento. Esforçamo-nos mais quando alguém reconhece o nosso empenho.

Mas as crianças não querem todas ser melhores do que as outras e ter tudo para elas?
Claro que sim. Isso é natural. A partir dos 12 meses o individualismo tem de dominar, porque eu tenho de saber pisar bem o chão para me sentir seguro. Mas é muito importante que nesse individualismo, que é inerente ao desenvolvimento do cérebro, exista um cuidador que comece a educar para a empatia. Que diga – Muito bem, foste buscar um rebuçado para ti, podes trazer outro para o mano? – Que saiba orientar do individualismo para a partilha.

E quando as próprias mães querem que os filhos tenham mais do que os outros?
Isso acontece porque os adultos se descentraram do seu papel de responsabilidade parental.

E qual é esse papel?
Os adultos devem ser bússolas empáticas para as crianças. A empatia tem de existir porque nós temos neurónios-espelho que têm de ser postos a funcionar. Os neurónios-espelho são aquilo que em nós reconhece o outro a partir das nossas experiências. É pela forma como eu sei dar, que eu sei me sentir no mundo. E não se trata de ser ‘boa pessoa’. Trata-se de perceber, como dizia o Adriano Moreira, que o mundo é a casa de todos os homens.

O problema é que os miúdos são hoje mais educados por ecrãs do que pelos pais…
O que acontece é que os ecrãs não estimulam os neurónios-espelho. Quando eu olho para os olhos de alguém, olho para os olhos da pessoa porque sei que também tenho olhos. O outro é o meu reflexo. Se o outro estiver dentro de um ecrã, não existe essa convocação de determinadas memórias em que eu vou tentar perceber o que o outro sente baseado nas minhas próprias experiências. Eu posso dizer – Olha, tens o cabelo um bocadinho despenteado – ou então– Estás mesmo feia, vê lá se te arranjas. A maneira como eu coloco o outro dentro de mim vai determinar se consigo ou não construir uma relação de sintonização afetiva. Num ecrã, só temos a parte visual, e não a parte das memórias afetivas. Isto está ligado à comunicação icónico-simbólica, que é o que está a causar tanto do insucesso nas nossas escolas.

Pode explicar?
Os miúdos têm hoje muita dificuldade em chegar aos conceitos sem uma coisa concreta. Tipo: ‘A Galp? Ah, aquela coisa cor de laranja’ – em vez de – ‘A empresa que explora o comércio da gasolina em Portugal’. Ou seja, eles não têm palavras para explicar os conceitos.

Porque é que não têm palavras?
Porque estão entupidos com imagens das máquinas. Um filme dá 18 a 30 imagens por segundo, nós só dizemos 4 ou 5 palavras por segundo. Portanto, temos que dar-nos muito mais tempo para ir buscar ao nosso dicionário as palavras com que descrever uma situação. No 11 de Setembro, quando as torres caíram, reparei nas pessoas que me conseguiam explicar bem a situação. A maioria convocava as imagens do terror, mas não conseguia descrever as imagens do seu cérebro. Como nós todos partilhávamos as mesmas imagens, era mais fácil convocar o ícone. Problema: um ícone ajuda-nos a reconhecer imediatamente as coisas, mas podemos eventualmente não partilhar os mesmos sentimentos ou opiniões, e isso gera imensos equívocos.

Estamos a caminhar para um pensamento por imagens?
Sim. Estamos a caminhar para um pensamento muito económico e simbólico. Isso ajuda na pressa com que temos de viver o quotidiano, mas não ajuda no desenvolvimento da nossa identidade narrativa. Permite sintonizar-nos mais rapidamente com o outro. Mas o nosso tempo é de egocentrismo e individualismo, é um tempo que nos afasta da nossa própria história.

Quais são as consequências de estar longe da nossa história?
Dou-lhe um exemplo. Quando eu fui a Paris fazer a minha tese de doutoramento, trabalhei com porteiras portuguesas e com mães tunisinas e espanholas. Verifiquei que os miúdos portugueses eram passivos, calados e gordinhos, enquanto os tunisinos eram alegres e ativos. E percebi que, enquanto as mães tunisinas partilhavam com orgulho a sua cultura e a sua história coletiva, as mães portuguesas viviam numa tristeza brutal e silenciosa. E eu perguntava – Então não fala sobre Portugal aos seus filhos? – e elas queriam era esquecer, estavam num estado depressivo que fazia com que inibissem verbalmente as memórias e que as incapacitava de serem mães atuantes junto dos filhos. Eram mães sem narrativas, com imensas lágrimas e uma solidão brutal. Isso hoje, felizmente, já não é tanto assim.

Porque é que a procuram hoje, no seu consultório?
Basicamente, pela desadaptação dos filhos, quer social quer escolar. E também pela não-comunicação dos miúdos, sabendo que os miúdos neste momento fazem apelos aflitivos: ou se cortam, ou deixam cartas, ou fazem desabafos nas redes sociais. Mas como as pessoas já não conversam tanto, estes sinais são mais visíveis, ou adivinhados, nem sempre há uma comunicação verbal. Às vezes é difícil estar atento. A nossa vida é difícil, Portugal é um país difícil, e portanto somos muito desviados da nossa condição de cuidadores.

Por outro lado, nunca como hoje se publicou tanto livro sobre parentalidade…
É verdade. Por um lado, desvalorizamos a intuição. Há dois tipos de pessoas: os analíticos e os intuitivos. O pensamento intuitivo ficou muito desvalorizado pelo ‘boom’ da educação. Por outro lado, tentar o que se aconselha nos livros é a mesma coisa que fazer leite-creme pela receita: aquilo nunca sai bem à primeira, é preciso treinar. E nós não temos paciência, queremos que as coisas resultem imediatamente. Outras vezes, vemos os sinais dos filhos e queremos respostas imediatas. Por exemplo, a criança amua e nós vamos a correr ao psicólogo, enquanto os nossos avós encolhiam os ombros e diziam: ‘Tem mau feitio…’

Os pais também se queixam de que os filhos não comunicam?
Dizem: ‘Mas ele não me quer dizer o que tem!’ Não: ele não consegue. Claro que ele verbaliza ‘Eu não quero’. Mas não está é a conseguir explicar. É essa ligação que importa conseguir. Porque o nosso cérebro existe para a gente lidar com a nossa imperfeição física. Todos nós somos fisicamente mal-paridos (risos). E o cérebro desenvolve-se cada vez mais para compensar esta fragilidade física. O cérebro dá-nos a opção de analisar, decidir e escolher o que fazer.

Mas os pais estão hoje muito obcecados com as crianças…
Sim. Não era preciso tanto. Acho que, neste momento, o essencial é voltar às coisas simples.

Disse uma vez que não estamos a educar para a autonomia…
E não estamos. O pensamento pouco reflexivo faz com que as pessoas precisem muito de utilizar o material, o concreto. Dantes ligava-se aos filhos uma vez por dia, à noite. Agora pegamos no telemóvel e ligamos a toda a hora, queremos resposta imediata, somos muito impacientes. ‘Onde é que estás?’ – é a nossa pergunta constante. Ora o que é que isso interessa onde está? Se ele tiver esta ‘corda’ pequenina, não desenvolve autonomia, só desenvolve insegurança.

Houve alguma altura em que tivesse pensado ‘a minha experiência não me está a ajudar com os meus filhos’?
Houve. Quando me divorciei. Tenho três filhos, o mais novo tinha 2 anos, o mais velho, 10. Isto pode parecer estúpido, mas eu senti que seria desonesto dizer uma coisa no meu consultório e fazer outra na minha vida. Aquilo que nos dá mais tranquilidade interna é a coerência, que se consegue não pelo que se diz mas pelo que se faz, no resultado das nossas ações. Quando penso nisso, acho que sim, que consegui. Mas percebi então que não era uma supermãe.

O que é preciso hoje para sermos bons pais, embora não superpais?
Gostar de nós e gostar dos miúdos. É o essencial. Claro que isso depois implica montes de escolhas. Por exemplo, eu nunca me preocupei muito em ganhar dinheiro. Temos de saber o que queremos na vida, quais são as nossas prioridades. E temos de ser honestos com as nossas capacidades e limitações. Ainda hoje sinto, como mãe e como avó, que faço muita asneira, todos os dias. Mas sendo ateia, sempre tentei que a minha culpabilidade em relação a isso se transformasse em tentar fazer melhor.

Há maneira de escapar à culpa materna?
Talvez não. Mas cada um tem de construir o seu ‘mapa-mundi’ pessoal dentro de si. Temos de perceber que não somos imortais. Temos de pensar no nosso fim, para sermos mais humildes, porque andamos a gastar-nos em coisas que não nos dão lucro humano.

Fale-me de uma pessoa fantástica que tenha ido ao seu gabinete…
Todas as crianças são fantásticas, porque está ali tudo a começar. Eu faço de Sherlock Holmes em todas as consultas. Os miúdos que estão em sofrimento dão-nos sempre pistas e mostram-nos como somos fantásticos, nós, humanos, a pensar e a sentir. Uma coisa que me comove imenso hoje em dia é a quantidade de crianças que neste momento são cuidadoras de pais infelizes. Esta capacidade de generosidade é imensa. É claro que elas precisam que os pais cuidem delas, mas há miúdos com uma capacidade imensa de cuidar do outro no sentido de preservar os laços que unem aquela família. As crianças defendem os pais mesmo quando esses pais são disfuncionais. Isto é muitíssimo comovente. E também é por isso que nunca se deve obrigar uma criança em situação de litígio a escolher um dos pais.

Defender os pais não é uma técnica de sobrevivência?
No limite, todo o tipo de afeto é uma técnica de sobrevivência. Porque nós só conseguimos muito tarde tornar-nos autónomos dos nossos pais. Portanto, temos de garantir o seu afeto. O nosso cérebro é gregário, é de partilha, não é de um predador. Não há cérebros sozinhos. O bebé tem uma predisposição para se sintonizar com um adulto cuidador, mesmo um mau cuidador. Por isso é que muitas vezes os miúdos copiam os pais mesmo em situações negativas. Mas isso não os torna menos comoventes.

Voltámos aos amanhãs que cantam?
Voltamos sempre. Estamos em tempos muito escuros, mas acredito verdadeiramente que, se soubermos procurar, há sempre uma luz que vem ao nosso encontro.

 

Fonte:Activa

Read more

“Há muitos Pokémons na Síria, vem salvar-me”

Cn0hBRNWEAAuFDc

Exército Livre sírio apela à comunidade internacional para resgatar as crianças que vivem todos os dias com a guerra, como estão a fazer com os Pokémons.

Crianças de todas as idades foram fotografadas com desenhos de personagens do jogo Pokémon Go com o objetivo de chamar a atenção da comunidade internacional para o sofrimento dos que lidam diariamente com a guerra.

Quando o mundo saí à rua para “caçar” Pokémons, as crianças sírias encontraram uma nova forma para chamar a atenção da comunidade internacional. São meninos a quem a infância é ameaçada diariamente, não jogam Pokémon GO, mas também têm um “Pikachu”.

A iniciativa foi do Exército Livre da Síria, que aproveitou o mediatismo do jogo da Nintendo para sensibilizar os internautas sobre o que se passa com as crianças na Síria. Foram lançadas duas hashtags no Twitter da RSF – meio de comunicação ligado ao Exército Livre -, que rapidamente se tornaram virais.

#PokémonInSyria e #PrayForSiria mostram crianças a segurar uma folha com uma personagem desenhada e acompanhada da frase: “Há muitos Pokémons na Síria, vem salvar-me” ou então “Estou na Síria, vem salvar-me”.

De acordo com o jornal The Guardian, as crianças foram fotografadas em Hama e Idlib, na Síria, onde ocorrem diversos bombardeamentos aéreos, principalmente por forças de oposição ao presidente Bashar al-Assad.

 

O Pokémon Go surgiu no mundo das aplicações para telemóvel como a galinha dos ovos de ouro da Nintendo e está a contagiar o mundo. Só em Portugal, o número de utilizadores já ultrapassou um milhão desde sexta-feira. O objetivo recorda a série de desenhos animados e manda “apanhá-los todos”, para isso o jogador tem de seguir o caminho indicado na aplicação até encontrar o Pokémon e capturá-lo.

 

Fonte:TVI24

Read more

Praia – O que fazer se o seu filho se perder

praia crianca

Praia – É muito fácil que as crianças se percam, especialmente em sítios como a praia ou a piscina. Quem é que já não ouviu, até mais do que uma vez, os nadadores-salvadores anunciarem que uma criança está perdida? Antes que o seu filho também se perca aprenda a evitá-lo e, principalmente, a agir se ele se perder.

O melhor é prevenir …

Durante a infância todos nós já nos perdemos pelo menos uma vez: no supermercado, na praia, na rua, … mas, felizmente, os nossos pais encontraram-nos rapidamente. Mesmo que seja apenas cinco minutos, para as crianças parece uma eternidade.

É quase impossível que não perca o seu filho de vista por breves momentos. Por isso, sempre que sair à rua ou a qualquer lugar público recorde a criança de que não se deve afastar de si. Insista na seguinte ideia “Se te vais embora, fico triste e não sei onde encontrar-te”.

Quando estiverem na praia mantenha o seu filho ocupado perto de si para que ele não tenha a tentação de se afastar. Leve brinquedos que mantenham a criança entretida (baldes, pás, etc.).

A melhor altura para ir com uma criança à praia é ao início da manhã ou ao fim da tarde. Nestas horas o sol é menos perigoso e pode desfrutar melhor da areia e da água. Para além disso, há menos gente na praia e, dessa forma, será mais difícil perder a criança de visão.

Vista o seu filho com roupas coloridas (fato-de-banho, chapéus, etc.) para que seja mais facilmente identificado no meio da multidão. As crianças devem andar sempre com um papel que diga o seu nome, a morada e o número de telefone. No entanto, como a praia é um sítio complicado para que uma criança tenha um papel consigo terá de optar por ensinar-lhe, muito bem, a dizer o seu nome completo.

Uma ideia útil pode ser ficar perto do posto de socorro ou colocar um balão preso ao chapéu-de-sol para que a criança possa vê-lo quando se afastar.

1

Como agir se o seu filho se perder?

Apesar de todos os esforços para impedir que uma criança se perca é normal que isso aconteça. Por vezes basta virar-se para tirar o creme da mala e quando se volta já a criança desapareceu. Por muito que procure imediatamente, o facto de a praia estar cheia de gente torna quase impossível encontrar uma criança que nem um metro mede. Nesse momento, por muito que custe, tente sempre manter a calma:

– Primeiro que tudo acalme-se. Depois vá ao posto de vigilância mais próximo e diga aos socorristas o que aconteceu. Eles irão encarregar-se de anunciar com um altifalante que uma criança está perdida.

– Coloque todas as pessoas que foram consigo à praia a procurar a criança. O mais provável é que ela esteja por perto pois, normalmente, quando as crianças percebem que estão perdidas ficam quietas e a chorar.

– Quando encontrar o seu filho não ralhe com ele porque ainda não tem consciência daquilo que fez. Pelo contrário reconforte a criança pois de certeza que passou um mau bocado.

– Já em casa, e mais tranquilos, explique-lhe que não deve afastar-se porque pode voltar a perder-se. Contudo, não lhe meta medo dizendo que alguém o pode levar. A criança ainda é muito pequena e necessita de confiar nos adultos para que se sinta segura e feliz.

Fonte: Todos Papás

Read more

A Psicomotricidade infantil

img_1252120507

Olá!

A professora Catarina Ferreira partilhou connosco um texto sobre a psicomotricidade e como é importante para a felicidade e para o desenvolvimento das crianças! Vale a pena ler:

 

“A psicomotricidade nasce com o bebé.

Ela nasce no início de tudo e acompanha-nos durante toda a nossa vida.

Está no bebé quando ele vivencia as primeiras sensações e emoções, está nos primeiros passos, na bola que é chutada com demasiada força, nos dedos e nas primeiras palavras…

A psicomotricidade nasce no corpo, na motricidade.

baby-exercising

O corpo é um instrumento primordial na comunicação e nas primeiras experiências com o mundo externo e interno. O corpo é o meio para a actividade, para o conhecimento e as relações, sendo que as experiências corporais dos bebés interferem na sua vida mental e cognitiva, afectiva e motora.

O conhecimento do mundo começa, portanto, pelo corpo e pela sua acção.

Numa perspectiva mais prática e profissionalizante, a psicomotricidade funciona como uma terapia de mediação corporal que é aplicada numa vertente preventiva e educativa ou mesmo terapêutica. No primeiro caso, a psicomotricidade actua como promotora do desenvolvimento global do bebé e da criança.

Ora vejamos algumas actividades que poderão fomentar o desenvolvimento do bebé e criança, tendo por base objectivos psicomotores:

 

–        Com uma bola, experimente rolá-la sobre o corpo do bebé. Refira os nomes das partes por onde vai passando. Esta actividade permite que o bebé vá consolidando a sua noção corporal e a noção de que é um corpo separado do da mamã.

–        Quando o bebé já é capaz de se sentar, pode ser colocado nesta posição em cima da mesma bola, estimulando o movimento de saltar, o que promove o desenvolvimento do equilíbrio dinâmico do bebé.

–        Depois do primeiro ano de idade, incentive o seu bebé a rolar a bola com intencionalidade (para si, por exemplo). Esta actividade irá aperfeiçoar as competências da motricidade global da criança, bem como a coordenação olho-mão ou olho-pé.

–        Depois dos dois anos de idade, as crianças adquirem a competência de atirar uma bola e, mais tarde, de a apanhar. Este jogo para além de ser uma excelente oportunidade para socializar com o seu filho, permite, ainda, que este desenvolva a noção espacial.

 

–        Fazer bolinhas de sabão é uma actividade super interessante, relaxante e que entretém todos: miúdos e graúdos! As bolinhas de sabão permitem o desenvolvimento de competências visuais, como a de acompanhar um objecto com o olhar, para os bebés até aos 8 meses. Nos bebés mais crescidos, esta actividade é excelente para estimular a coordenação olho-mão (para alcançar as bolinhas) e ainda o desenvolvimento da compreensão da relação causa-efeito, porque ‘Eu toco na bola e…oh! A bola rebenta’.

Bolinha7

–        Mais tarde, o acto de fazer bolinhas irá incentivar as crianças a rebentá-las ou apanhá-las, estimulando, por sua vez, a sua motricidade global, bem como a sua noção corporal. Até o desenvolvimento da linguagem está presente! Utilize conceitos opostos como ‘bolas grandes e pequenas’, ‘estão lá no alto e agora cá em baixo!’.

Na Terra do Nunca não desejamos mais do que aquilo que deseja para os seus pequeninos: uma vida FELIZ.

E uma vida feliz inicia-se através de uma abordagem parental que inclua muito carinho, muitas experiências e brincadeiras, num clima sempre positivo. Até porque estudos científicos bastante recentes demonstram que o desenvolvimento do cérebro é extremamente influenciado pela qualidade e quantidade de experiências precoces que os bebés vivenciam: quando um bebé nasce, apenas 25% do seu cérebro está desenvolvido, mas, por volta dos 3 anos de idade, cerca de 90% do cérebro atinge a sua maturação! E para alcançar o seu potencial máximo, a Terra do Nunca apresenta a sua filosofia de brincar com intencionalidade, demonstrando que a melhor forma de aprender é através do corpo, do movimento e do brincar, sendo que a psicomotricidade tem um papel preponderante em todas estas conquistas.

Os pais são os primeiros e os mais importantes professores que qualquer criança pode ter. Contribuir para a sua psicomotricidade, para além de ter implicações no desenvolvimento emocional, físico e cognitivo da criança, promove, igualmente, o fortalecimento do vínculo afectivo.

Brinque com o seu bebé, estimule a sua psicomotricidade, e sejam muito felizes, juntos!

Read more